B I O G R A F I A S

Clique no link abaixo para saber um pouco mais sobre algumas personalidades do meio espírita.

Conheça um pouco mais sobre os convidados do Centro Espírita Irmã Maria:

Heloísa Pires

Miguel de Jesus Sardano

Wlademir Lisso

Allan Vilches

Coral Vozes do Caminho

Richard Simonetti

Moacyr Camargo


Personalidades do meio espírita:

Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti

Allan Kardec

Antônio Gonçalves da Silva Batuíra

Camille Flammarion

Divaldo Pereira Franco

Edgard Pereira Armond

Eurípedes Barsanulfo

Francisco Cândido Xavier

José Herculano Pires

Louis Pasteur








ADOLFO BEZERRA DE MENEZES CAVALCANTI


Nascido na antiga Freguesia do Riacho do Sangue, hoje Solonópole, no Ceará, aos 29 dias do mês de Agosto de 1831, e desencarnado no Rio de Janeiro, a 11 de Abril de 1900.

Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti, no ano de 1838, entrou para a escola pública da Vila do Frade, onde em dez meses apenas, preparou-se suficientemente até onde dava o saber do mestre que lhe dirigia a primeira fase de educação. Bem cedo revelou sua fulgurante inteligência, pois, aos onze anos de idade, iniciava o curso de Humanidades e, aos treze anos, conhecia tão bem o latim que ministrava, a seus companheiros, aulas dessa matéria, substituindo o professor da classe em seus impedimentos.

Seu pai, o capitão das antigas milícias e tenente-coronel da Guarda Nacional, Antônio Bezerra de Menezes, homem severo, de honestidade a toda prova e de ilibado caráter, tinha bens de fortuna em fazendas de criação. Com a política, e por efeito do seu bom coração, que o levou a dar abonos de favor a parentes e amigos, que o procuravam para explorar-lhe os sentimentos de caridade, comprometeu aquela fortuna. Percebendo, porém, que seus débitos igualavam seus haveres, procurou os credores e lhes propôs entregar tudo o que possuía, o que era suficiente para integralizar a dívida. Os credores, todos seus amigos, recusaram a proposta, dizendo-lhe que pagasse como e quando quisesse.

O velho honrado insistiu; porém, não conseguiu demover os credores sobre essa resolução, por isso deliberou tornar-se mero administrador do que fora sua fortuna, não retirando dela senão o que fosse estritamente necessário para a manutenção da sua família, que assim passou da abastança às privações.

Animado do firme propósito de orientar-se pelo caráter íntegro de seu pai, Bezerra de Menezes, com minguada quantia que seus parentes lhe deram, e animado do propósito de sobrepujar todos os óbices, partiu para o Rio de Janeiro a fim de seguir a carreira que sua vocação lhe inspirava: a Medicina.

Em novembro de 1852, ingressou como praticante interno no Hospital da Santa Casa de Misericórdia. Doutorou-se em 1856 pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, defendendo a tese "Diagnóstico do Cancro". Nessa altura abandonou o último patronímico, passando a assinar apenas Adolfo Bezerra de Menezes. A 27 de abril de 1857, candidatou-se ao quadro de membros titulares da Academia Imperial de Medicina, com a memória "Algumas Considerações sobre o Cancro encarado pelo lado do Tratamento". O parecer foi lido pelo relator designado, Acadêmico José Pereira Rego, a 11 de maio de 1857, tendo a eleição se efetuado a 18 de maio do mesmo ano e a posse a 1.o. de junho. Em 1858 candidatou-se a uma vaga de lente substituto da Secção de Cirurgia da Faculdade de Medicina. Por intercessão do mestre Manoel Feliciano Pereira de Carvalho, então Cirurgião-Mor do Exército, Bezerra de Menezes foi nomeado seu assistente, no posto de Cirurgião-Tenente.

Eleito vereador municipal pelo Partido Liberal, em 1861, teve sua eleição impugnada pelo chefe conservador, Haddock Lobo, sob a alegação de ser médico militar. Objetivando servir o seu Partido, que necessitava dele a fim de obter maioria na Câmara, resolveu Bezerra de Menezes afastar-se do Exército. Em 1867 foi eleito Deputado Geral, tendo ainda figurado em lista tríplice para uma cadeira no Senado.

Quando político, levantou-se contra ele, a exemplo do que ocorre com todos os políticos honestos, uma torrente de injúrias que cobriu o seu nome de impropérios. Entretanto, a prova da pureza da sua alma deu-se quando, abandonando a vida pública, foi viver para os pobres, repartindo com os necessitados o pouco que possuía.

Corria sempre ao tugúrio do pobre, onde houvesse um mal a combater, levando ao aflito o conforto de sua palavra de bondade, o recurso da ciência de médico e o auxílio da sua bolsa minguada e generosa.

Desviado interinamente da atividade política e dedicando-se a empreendimentos empresariais, criou a Companhia de Estrada de Ferro Macaé a Campos, na então província do Rio de Janeiro. Depois, empenhou-se na construção da via férrea de S. Antônio de Pádua, etapa necessária ao seu desejo, não concretizado, de levá-la até o Rio Doce. Era um dos diretores da Companhia Arquitetônica que, em 1872, abriu o "Boulevard 28 de Setembro", no então bairro de Vila Isabel, cujo topônimo prestava homenagem à Princesa Isabel. Em 1875, era presidente da Companhia Carril de S. Cristóvão.

Retornando à política, foi eleito vereador em 1876, exercendo o mandato até 1880. Foi ainda presidente da Câmara e Deputado Geral pela Província do Rio de Janeiro, no ano de 1880.

O Dr. Carlos Travassos havia empreendido a primeira tradução das obras de Allan Kardec e levara a bom termo a versão portuguesa de "O Livro dos Espíritos". Logo que esse livro saiu do prelo levou um exemplar ao deputado Bezerra de Menezes, entregando-o com dedicatória. O episódio foi descrito do seguinte modo pelo futuro Médico dos Pobres: "Deu-mo na cidade e eu morava na Tijuca, a uma hora de viagem de bonde. Embarquei com o livro e, como não tinha distração para a longa viagem, disse comigo: ora, adeus! Não hei de ir para o inferno por ler isto... Depois, é ridículo confessar-me ignorante desta filosofia, quando tenho estudado todas as escolas filosóficas. Pensando assim, abri o livro e prendi-me a ele, como acontecera com a Bíblia. Lia. Mas não encontrava nada que fosse novo para meu Espírito. Entretanto, tudo aquilo era novo para mim!... Eu já tinha lido ou ouvido tudo o que se achava no "O Livro dos Espíritos". Preocupei-me seriamente com este fato maravilhoso e a mim mesmo dizia: parece que eu era espírita inconsciente, ou, mesmo como se diz vulgarmente, de nascença".

No dia 16 de agosto de 1886, um auditório de cerca de duas mil pessoas da melhor sociedade enchia a sala de honra da Guarda Velha, na rua da Guarda Velha, atual Avenida 13 de Maio, no Rio de Janeiro, para ouvir em silêncio, emocionado, atônito, a palavra sábia do eminente político, do eminente médico, do eminente cidadão, do eminente católico, Dr. Bezerra de Menezes, que proclamava a sua decidida conversão ao Espiritismo.

Bezerra era um religioso no mais elevado sentido. Sua pena, por isso, desde o primeiro artigo assinado, em janeiro de 1887, foi posta a serviço do aspecto religioso do Espiritismo. Demonstrada a sua capacidade literária no terreno filosófico e religioso, quer pelas réplicas, quer pelos estudos doutrinários, a Comissão de Propaganda da União Espírita do Brasil, incumbiu-o de escrever, aos domingos, no "O Paiz" tradicional órgão da imprensa brasileira, a série de "Estudos Filosóficos", sob o título "O Espiritismo". O Senador Quintino Bocaiúva, diretor daquele jornal de grande penetração e circulação, "o mais lido do Brasil", tornou-se mesmo simpatizante da Doutrina Espírita.

Os artigos de Max, pseudônimo de Bezerra de Menezes, marcaram a época de ouro da propaganda espírita no Brasil. De novembro de 1886 a dezembro de 1893, escreveu ininterruptamente, ardentemente.

Da bibliografia de Bezerra de Menezes, antes e após a sua conversão do Espiritismo, constam os seguintes trabalhos: "A Escravidão no Brasil e as medidas que convém tomar para extingui-la sem dano para a Nação", "Breves considerações sobre as secas do Norte", "A Casa Assombrada", "A Loucura sob Novo Prisma", "A Doutrina Espírita como Filosofia Teogônica", "Casamento e Mortalha", "Pérola Negra", "Lázaro - o Leproso", "História de um Sonho", "Evangelho do Futuro". Escreveu ainda várias biografias de homens célebres, como o Visconde do Uruguai, o Visconde de Carvalas, etc. Foi um dos redatores de "A Reforma", órgão liberal da Corte, e redator do jornal "Sentinela da Liberdade".

Bezerra de Menezes tinha a função de médico no mais elevado conceito, por isso, dizia ele: "Um médico não tem o direito de terminar uma refeição, nem de perguntar se é longe ou perto, quando um aflito qualquer lhe bate à porta. O que não acode por estar com visitas, por ter trabalhado muito e achar-se fatigado, ou por ser alta hora da noite, mau o caminho ou o tempo, ficar longe ou no morro, o que sobretudo pede um carro a quem não tem com que pagar a receita, ou diz a quem lhe chora à porta que procure outro esse não é médico, é negociante de medicina, que trabalha para recolher capital e juros dos gastos de formatura. Esse é um desgraçado, que manda para outro o anjo da caridade que lhe veio fazer uma visita e lhe trazia a única espórtula que podia saciar a sede de riqueza do seu Espírito, a única que jamais se perderá nos vaivéns da vida."

Em 1883, reinava um ambiente francamente dispersivo no seio do Espiritismo brasileiro e os que dirigiam os núcleos espíritas do Rio de Janeiro sentiam a necessidade de uma união mais bem estruturada e que, por isso mesmo, se tornasse mais indestrutível.

Os Centros, onde se ministrava a Doutrina, trabalhavam de forma autônoma. Cada um deles exercia a sua atividade em um determinado setor, sem conhecimento das atividades dos demais. Esse sentimento levou-os à fundação da Federação Espírita Brasileira.

Nessa época já existiam muitas sociedades espíritas, porém, as únicas que mantinham a hegemonia de mando eram quatro: a "Acadêmica", a "Fraternidade", a "União Espírita do Brasil" e a "Federação Espírita Brasileira", entretanto, logo surgiram entre elas vivas discórdias.

Sob os auspícios de Bezerra de Menezes, e acatando prescrições das importantes "Instruções" recebidas do plano espiritual pelo médium Frederico Júnior, foi fundado o famoso "Centro Espírita", o que, entretanto, não impediu que Bezerra desse a sua colaboração a todas as outras instituições. O entusiasmo dos espíritas logo se arrefeceu, e o velho seareiro se viu desamparado dos seus companheiros, chegando a ser o único freqüentador do Centro. A cisão era profunda entre os chamados "místicos" e "científicos", ou seja, espíritas que aceitavam o Espiritismo em seu aspecto religioso, e os que o aceitavam simplesmente pelo lado científico e filosófico.

Em 1893, a convulsão provocada no Brasil pela Revolta da Armada, ocasionou o fechamento de todas as sociedades espíritas ou não. No Natal do mesmo ano Bezerra encerrou a série de "Estudos Filosóficos" que vinha publicando no "O Paiz".

Em 1894, o ambiente mostrou tendências para melhora e o nome de Bezerra de Menezes foi lembrado como o único capaz de unificar o movimento espírita. O infatigável batalhador, com 63 anos de idade, assumiu a presidência da Federação Espírita Brasileira, cargo que ocupou até a sua desencarnação.

Iniciava-se o ano de 1900, e Bezerra de Menezes foi acometido de violento ataque de congestão cerebral, que o prostrou no leito, de onde não mais se levantaria.

Verdadeira romaria de visitantes acorria à sua casa. Ora o rico, ora o pobre, ora o opulento, ora o que nada possuía.

Ninguém desconhecia a luta tremenda em que se debatia a família do grande apóstolo do Espiritismo. Todos conheciam suas dificuldades financeiras, mas ninguém teria a coragem de oferecer fosse o que fosse, de forma direta. Por isso, os visitantes depositavam suas espórtulas, delicadamente, debaixo do seu travesseiro. No dia seguinte, a pessoa que lhe foi mudar as fronhas, surpreendeu-se por ver ali desde o tostão do pobre até a nota de duzentos mil reis do abastado!...

Ocorrida a sua desencarnação, verdadeira peregrinação demandou sua residência a fim de prestar-lhe a última visita.

No dia 17 de abril, promovido por Leopoldo Cirne, reuniram-se alguns amigos de Bezerra, a fim de chegarem a um acordo sobre a melhor maneira de amparar a sua família, tendo então sido formada uma comissão que funcionou sob a presidência de Quintino Bocaiúva, senador da República, para se promover espetáculos e concertos, em benefício da família daquele que mereceu o cognome de "Kardec Brasileiro".

Devido ao seu Espirito caridoso e prestativo, Bezerra de Menezes mereceu o cognome de "O Medico dos Pobres".

Digno de registro foi um caso sucedido com o Dr. Bezerra de Menezes, quando ainda era estudante de Medicina.

Ele estava em sérias dificuldades financeiras, precisando da quantia de cinqüenta mil réis (antiga moeda brasileira), para pagamento das taxas da Faculdade e para outros gastos indispensáveis em sua habitação, pois o senhorio, sem qualquer contemplação, ameaçava despejá-lo.

Desesperado uma das raras vezes em que Bezerra se desesperou na vida e como não fosse incrédulo, ergueu os olhos ao Alto e apelou a Deus.

Poucos dias após bateram-lhe à porta. Era um moço simpático e de atitudes polidas que pretendia tratar algumas aulas de Matemática.

Bezerra recusou, a princípio, alegando ser essa matéria a que mais detestava, entretanto, o visitante insistiu e por fim, lembrando-se de sua situação desesperadora, resolveu aceitar.

O moço pretextou então que poderia esbanjar a mesada recebida do pai, pediu licença para efetuar o pagamento de todas as aulas adiantadamente. Após alguma relutância, convencido, acedeu. O moço entregou-lhe então a quantia de cinqüenta mil réis. Combinado o dia e a hora para o início das aulas, o visitante despediu-se, deixando Bezerra muito feliz, pois conseguiu assim pagar o aluguel e as taxas da Faculdade. Procurou livros na biblioteca pública para se preparar na matéria, mas o rapaz nunca mais apareceu.

No ano de 1894, em face das dissensões reinantes no seio do Espiritismo brasileiro, alguns confrades, tendo à frente o Dr. Bittencourt Sampaio, resolveram convidar Bezerra a fim de assumir a presidência da Federação Espírita Brasileira.

Em vista da relutância dele em assumir aquele espinhoso encargo, travou-se a seguinte conversação:

— Querem que eu volte para a Federação. Como vocês sabem aquela velha sociedade está sem presidente e desorientada. Em vez de trabalhos metódicos sobre Espiritismo ou sobre o Evangelho, vive a discutir teses bizantinas e a alimentar o espírito de hegemonia.

— O trabalhador da vinha, disse Bittencourt Sampaio, é sempre amparado. A Federação pode estar errada na sua propaganda doutrinária, mas possui a Assistência aos Necessitados, que basta por si só para atrair sobre ela as simpatias dos servos do Senhor.

— De acordo. Mas a Assistência aos Necessitados está adotando exclusivamente a Homeopatia no tratamento dos enfermos, terapêutica que eu adoto em meu tratamento pessoal, no de minha família e recomendo aos meus amigos, sem ser, entretanto, médico homeopata. Isto aliás me tem criado sérias dificuldades, tornando-me um médico inútil e deslocado que não crê na medicina oficial e aconselha a dos Espíritos, não tendo assim o direito de exercer a profissão.

— E por que não te tornas médico homeopata? disse Bittencourt.

— Não entendo patavinas de Homeopatia. Uso a dos Espíritos e não a dos médicos.

Nessa altura, o médium Frederico Júnior, incorporando o Espírito de S. Agostinho, deu um aparte:

— Tanto melhor. Ajudar-te-emos com maior facilidade no tratamento dos nossos irmãos.

— Como, bondoso Espírito? Tu me sugeres viver do Espiritismo?

— Não, por certo! Viverás de tua profissão, dando ao teu cliente o fruto do teu saber humano, para isso estudando Homeopatia como te aconselhou nosso companheiro Bittencourt. Nós te ajudaremos de outro modo: Trazendo-te, quando precisares, novos discípulos de Matemática...


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ALLAN KARDEC


Allan Kardec nascido em Lyon, França, no dia 3 de Outubro de 1804 e desencarnado em Paris, no dia 31 de março de 1869.

Muito se tem escrito sobre a personalidade de Allan Kardec, existindo mesmo várias e extensas biografias sobre a sua obra missionária.

É sobejamente conhecida a sua vida anteriormente ao dia 18 de abril de 1857, quando publicou a magistral obra "O Livro dos Espíritos", que deu início ao processo de codificação do Espiritismo.

Nesta súmula biográfica, procuraremos esboçar alguns informes sobre a sua inconfundível personalidade, alguns deles já do conhecimento geral.

O seu verdadeiro nome era Hippolyte-Léon-Denizard Rivail. "Hippolite" em família; "Professor Rivail" na sociedade e "H-L-D. Rivail" na literatura era, desde os 18 anos mestre colegial de Ciências e Letras, e, desde os 20 anos renomado autor de livros didáticos. Suas obras espíritas foram escritas com o pseudônimo de Allan Kardec.

Destacou-se na profissão para a qual fora aprimoradamente educado na Suíça, na escola do maior pedagogo do primeiro quartel do século XIX, de fama mundial e até hoje paradigma dos mestres: João Henrique Pestalozzi. E, em Paris, sucedeu ao próprio mestre.

Allan Kardec contava 51 anos quando se dedicou à observação e estudo dos fenômenos espíritas, sem os entusiasmos naturais das criaturas ainda não amadurecidas e sem experiência. A sua própria reputação de homem probo e culto constituiu o obstáculo em que esbarraram certas afirmações levianas dos detratores do Espiritismo. Dois anos depois, em 1857, divulgava "O Livro dos Espíritos". Em 1858 iniciava a publicação da famosa "Revue Spirite". Em 1861 dava a lume "O Livro dos Médiuns". Em 1864 aparecia "O Evangelho segundo o Espiritismo"; seguido de "O Céu e o Inferno" em 1865. Finalmente, em 1868 "A Gênesis Os Milagres e as Predições", completava o pentateuco do Espiritismo.

Na ingente tarefa de codificação do Espiritismo, Allan Kardec contou com o valioso concurso de três meninas que se tornaram as médiuns principais no trabalho de compilação de "O Livro dos Espíritos": Caroline Baudin, Julie Baudin e Ruth Celine Japhet. As duas primeiras foram utilizadas para a concatenação da essência dos ensinos espíritas e a última para os esclarecimentos complementares. Ultimada a obra e ratificados todos os ensinamentos ali contidos, por sugestão dos Espíritos, Allan Kardec recorreu a outros médiuns, estranhos ao primeiro grupo, dentre eles Japhet e Roustan, médiuns intuitivos; a senhora Canu, sonâmbula inconsciente; Canu, médium de incorporação; a sra. Leclerc, médium psicógrafa; a sra. Clement, médium psicógrafa e de incorporação; a sra. De Pleinemaison, auditiva e inspirada; sra. Roger, clarividente; e srta. Aline Carlotti, médium psicógrafa e de incorporação.

Escrevendo sobre a personalidade do ínclito mestre, o emérito Dr. Silvino Canuto Abreu afirmou o seguinte: "De cultura acima do normal nos homens ilustres de sua idade e do seu tempo, impôs-se ao geral respeito desde moço. Temperamento infenso à fantasia, sem instinto poético nem romanesco, todo inclinado ao método, à ordem, à disciplina mental, praticava, na palavra escrita ou falada, a precisão, a nitidez, a simplicidade, dentro dum vernáculo perfeito, escoimado de redundâncias.

Pousava sobre o ouvinte como suave farol e não se desviava abstrato para o vago senão quando meditava, a sós. E o que mais personalidade lhe dava era a voz, clara e firme, de tonalidade agradável e oracional, que podia mesclar agradavelmente desde o murmúrio acariciante até as explosões de eloqüência parlamentar. Sua gesticulação era sóbria, educada. Quando distraído, a ler ou a pensar, confiava os "favoris". Quando ouvia uma pessoa, enfiava o polegar direito no espaço entre dois botões do colete, a fim de não aparentar impaciência e, ao contrário, convencer de sua tolerância e atenção. Conversando com discípulos ou amigos íntimos, apunha algumas vezes a destra no ombro do ouvinte, num gesto de familiaridade. Mantinha rigorosa etiqueta social diante das damas.

Pelo seu profundo e inexcedível amor ao bem e à verdade, Allan Kardec edificou para todo o sempre o maior monumento de sabedoria que a Humanidade poderia ambicionar, desvendando os grandes mistérios da vida, do destino e da dor, pela compreensão racional e positiva das múltiplas existências, tudo à luz meridiana dos postulados do ninfo Cristianismo.

Filho de pais católicos, Allan Kardec foi criado no Protestantismo, mas não abraçou nenhuma dessas religiões, preferindo situar-se na posição de livre pensador e homem de análise. Compungia-lhe a rigidez do dogma que o afastava das concepções religiosas. O excessivo simbolismo das teologias e ortodoxias, tornava-o incompatível com os princípios da fé cega.

Situado nessa posição, em face de uma vida intelectual absorvente, foi o homem de ponderação, de caráter ilibado e de saber profundo, despertado para o exame das manifestações das chamadas mesas girantes. A esse tempo o mundo estava voltado, em sua curiosidade, para os inúmeros fatos psíquicos que, por toda a parte, se registravam e que, pouco depois, culminaram no advento da altamente consoladora doutrina que recebeu o nome de Espiritismo, tendo como seu codificados, o educador emérito e imortal de Lyon.

O Espiritismo não era, entretanto, criação do homem e sim uma revelação divina à Humanidade para a defesa dos postulados legados pelo Meigo Rabi da Galiléia, numa quadra em que o materialismo avassalador conquistava as mais pujantes inteligências e os cérebros proeminentes da Europa e das Américas.

A primeira sociedade espírita regularmente constituída foi fundada por Allan Kardec, em Paris, no dia 1o. de abril de 1858. Seu nome era "Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas". A ela o codificador emprestou o seu valioso concurso, propugnando para que atingisse os nobilitantes objetivos para os quais foi criada.

Allan Kardec é invulnerável à increpação de haver escrito sob a influência de idéias preconcebidas ou de espírito de sistema. Homem de caráter frio e severo, observava os fatos e dessas observações deduzia as leis que os regem.

A codificação da Doutrina Espírita colocou Kardec na galeria dos grandes missionários e benfeitores da Humanidade. A sua obra é um acontecimento tão extraordinário como a Revolução Francesa. Esta estabeleceu os direitos do homem dentro da sociedade, aquela instituiu os liames do homem com o universo, deu-lhe as chaves dos mistérios que assoberbavam os homens, dentre eles o problema da chamada morte, os quais até então não haviam sido equacionados pelas religiões. A missão do ínclito mestre, como havia sido prognosticada pelo Espírito de Verdade, era de escolhos e perigos, pois ela não seria apenas de codificar, mas principalmente de abalar e transformar a Humanidade. A missão foi-lhe tão árdua que, em nota de 1o. de janeiro de 1867, Kardec referia-se as ingratidões de amigos, a ódios de inimigos, a injúrias e a calúnias de elementos fanatizados. Entretanto, ele jamais esmoreceu diante da tarefa.


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ANTÔNIO GONÇALVES DA SILVA BATUÍRA


Antônio Gonçalves da Silva Batuíra, nascido a 19 de Março de 1839, em Portugal, na Freguesia de Águas Santas, hoje integrada no Conselho da Maia e desencarnado em São Paulo, no dia 22 de Janeiro de 1909.

Completada a sua instrução primária, veio para o Brasil, com apenas onze anos de idade, aportando no Rio de Janeiro, a 3 de janeiro de 1850.

Seu nome de origem era Antônio Gonçalves da Silva, entretanto, devido a ser um moço muito ativo, correndo daqui para acolá, a gente da rua o apelidara "o batuíra", o nome que se dava à narceja, ave pernalta, muito ligeira, de vôo rápido, que freqüentava os charcos na várzea formada, no atual Parque D. Pedro II, em S. Paulo, pelos transbordamentos do rio Tamanduateí. Desde então o cognome "Batuíra" foi incorporado ao seu nome.

Batuíra desempenhou uma série de atividades que não cabe registrar nesta concisa biografia, entretanto, podemos afirmar que defendeu calorosamente a idéia da abolição da escravatura no Brasil, quer seja abrigando escravos em sua casa e conseguindo-lhes a carta de alforria, ou fundando um jornalzinho a fim de colaborar na campanha encetada pelos grandes abolicionistas Luiz Gama, José do Patrocínio, Raul Pompéia, Paulo Ney, Antônio Bento, Rui Barbosa e tantos outros grandes paladinos das idéias liberais.

Homem de costumes simples, alimentando-se apenas de hortaliças, legumes e frutas, plantava no quintal de sua casa tudo aquilo de que necessitava para o seu sustento. Com as economias, adquiriu os então desvalorizados terrenos do Lavapés, em S. Paulo, edificando ali boa casa de residência e, ao lado dela, uma rua particular com pequenas casas que alugava a pessoas necessitadas. O tempo contribuiu para que tudo ali se valorizasse, propiciando a Batuíra apreciáveis recursos financeiros. A rua particular deveria ser mais tarde a Rua Espírita, que ainda lá está.

Tomando conhecimento das altamente consoladoras verdades do Espiritismo, integrou-se resolutamente nessa causa, procurando pautar seus atos nos moldes dos preceitos evangélicos. Identificou-se de tal maneira com os postulados espíritas e evangélicos que, ao contrário do "moço rico" da narrativa evangélica, como que procurando dar uma demonstração eloqüente da sua comunhão com os preceitos legados por Jesus Cristo, desprendeu-se de tudo quanto tinha e pôs-se a seguir as suas pegadas. Distribuiu o seu tesouro na Terra, para entrar de posse daquele outro tesouro do Céu.

Tornou-se um dos pioneiros do Espiritismo no Brasil. Fundou o "Grupo Espírita Verdade e Luz", onde, no dia 6 de abril de 1890, diante de enorme assembléia, dava início a uma série de explanações sobre "O Evangelho Segundo o Espiritismo".

Nessa oportunidade deixara de circular a única publicação espírita da época, intitulada "Espiritualismo Experimental" redigida desde setembro de 1886, por Santos Cruz Junior. Sentindo a lacuna deixada por essa interrupção, Batuíra adquiriu uma pequena tipografia, a que denominou "Tipografia Espírita", iniciando a 20 de maio de 1890, a publicação de um quinzenário de quatro páginas com o nome "Verdade e Luz", posteriormente transformado em revista e do qual foi o diretor responsável até a data de sua desencarnação. A tiragem desse periódico era das mais elevadas, pois de 2 ou 3 mil exemplares, conseguiu chegar até 15 mil, quantidade fabulosa naquela época, quando nem os jornais diários ultrapassavam a casa dos 3 mil exemplares. Nessa tarefa gloriosa e ingente Batuíra despendeu sua velhice. Era de vê-lo, trôpego, de grandes óculos, debruçado nos cavaletes da pequena tipografia, catando, com os dedos trêmulos, letras no fundo dos caixotins.

Para a manutenção dessa publicação, Batuíra despendeu somas respeitáveis, já que as assinaturas somavam quantia irrisória. Por volta de 1902 foi levado a vender uma série de casas situadas na Rua Espírita e na Rua dos Lavapés, a fim de equilibrar suas finanças.

Não era apenas esse periódico que pesava nas finanças de Batuíra. Espírito animado de grande bondade, coração aberto a todas as desventuras, dividia também com os necessitados o fruto de suas economias. Na sua casa a caridade se manifestava em tudo: jamais o socorro foi negado a alguém, jamais uma pessoa saiu dali sem ser devidamente amparada, havendo mesmo muitas afirmativas de que "um bando de aleijados vivia com ele". Quem ali chegasse, tinha cama, mesa e um cobertor.

Certa vez um desses homens que viviam sob o seu amparo, furtou-lhe um relógio de ouro e corrente do mesmo metal. Houve uma denúncia e ameaças de prisão. A esposa de Batuíra lamentou-se, dizendo: "é o único objeto bom que lhe resta". Batuíra, porém, impediu que se tomasse qualquer medida, afirmando: "Deixai-o, quem sabe precisa mais do que eu".

Batuíra casou-se em primeiras núpcias com Dona Brandina Maria de Jesus, de quem teve um filho, Joaquim Gonçalves Batuíra, que veio a desencarnar depois de homem feito e casado. Em segundas núpcias, casou-se com Dona Maria das Dores Coutinho e Silva; desse casamento teve um filho, que desencarnou repentinamente com doze anos de idade. Posteriormente adotou uma criança retardada mental e paralítica, a qual conviveu em sua companhia desde 1888.

Figura bastante popular em S. Paulo, Batuíra tornou-se querido de todos, tendo vários órgãos da imprensa leiga registrado a sua desencarnação e apologiado a sua figura exponencial de homem caridoso e dedicado aos sofredores.


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CAMILLE FLAMMARION


Camille Flammarion, nascido em Montigny-Le-Roy, França, no dia 26 de Fevereiro de 1842 e desencarnado em Juvissy, no mesmo país, a 4 de Junho de 1925.

Flammarion foi um homem cujas obras encheram de luzes o século XIX. Ele era o mais velho de uma família de quatro filhos, entretanto, desde muito jovem se revelaram nele qualidades excepcionais. Queixava-se constantemente que o tempo não lhe deixava fazer um décimo daquilo que planejava. Aos quatro anos de idade já sabia ler, aos quatro e meio sabia escrever e aos cinco já dominava rudimentos de gramática e aritmética. Tornou-se o primeiro aluno da escola onde freqüentava.

Para que ele seguisse a carreira eclesiástica, puseram-no a aprender latim com o vigário Lassalle. Aí Flammarion conheceu o Novo Testamento e a Oratória. Em pouco tempo estava lendo os discursos de Massilon e Bonsuet. O padre Mirbel falou da beleza da ciência e da grandeza da Astronomia e mal sabia que um de seus auxiliares lhe bebia as palavras. Esse auxiliar era Camille Flammarion, aquele que iria ilustrar a letra e a significação galo-romana do seu nome Flammarion: "Aquele que leva a luz".

Nas aulas de religião era ensinado que uma só coisa é necessária: "a salvação da alma", e os mestres falavam: "De que serve ao homem conquistar o Universo se acaba perdendo a alma?".

Foi dura a vida dos Flammarions, e Camille compreendeu o mérito de seu pai entregando tudo aos credores. Reconhecia nele o mais belo exemplo de energia e trabalho, entretanto, essa situação levou-o a viver com poucos recursos.

Camille, depois de muito procurar, encontrou serviço de aprendiz de gravador, recebendo como parte do pagamento casa e comida. Comia pouco e mal, dormia numa cama dura, sem o menor conforto; era áspero o trabalho e o patrão exigia que tudo fosse feito com rapidez. Pretendia completar seus estudos, principalmente a matemática, a língua inglesa e o latim. Queria obter o bacharelado e por isso estudava sozinho à noite. Deitava-se tarde e nem sempre tinha vela. Escrevia ao clarão da lua e considerava-se feliz. Apesar de estudar à noite, trabalhava de 15 a 16 horas por dia. Ingressou na Escola de desenho dos frades da Igreja de São Roque, a qual freqüentava todas as quintas-feiras. Naturalmente tinha os domingos livres e tratou de ocupá-los. Nesse dia assistia as conferências feitas pelo abade sobre Astronomia. Em seguida tratou de difundir as associações dos alunos de desenho dos frades de São Roque, todos eles aprendizes residentes nas vizinhanças. Seu objetivo era tratar de ciências, literatura e desenho, o que era um programa um tanto ambicioso.

Aos 16 anos de idade, Camille Flammarion foi presidente da Academia, a qual, ao ser inaugurada, teve como discurso de abertura o tema "As Maravilhas da Natureza". Nessa mesma época escreveu "Cosmogonia Universal", um livro de quinhentas páginas; o irmão, também muito seu amigo, tomou-se livreiro e publicava-lhe os livros. A primeira obra que escreveu foi "O Mundo antes da Aparição dos Homens", o que fez quando tinha apenas 16 anos de idade. Gostava mais da Astronomia do que da Geologia. Assim era sua vida: passar mal, estudar demais, trabalhar em exagero.

Um domingo desmaiou no decorrer da missa, por sinal, um desmaio muito providencial. O doutor Edouvard Fornié foi ver o doente. Em cima da sua cabeceira estava um manuscrito do livro "Cosmologia Universal". Após ver a obra, achou que Camille merecia posição melhor. Prometeu-lhe, então, colocá-lo no Observatório, como aluno de Astronomia. Entrando para o Observatório de Paris, do qual era diretor Levèrrier, muito sofreu com as impertinências e perseguições desse diretor, que não podia conceber a idéia de um rapazola acompanhá-lo em estudos de ordem tão transcendental.

Retirando-se em 1862 do Observatório de Paris, continuou com mais liberdade os seus estudos, no sentido de legar à Humanidade os mais belos ensinamentos sobre as regiões silenciosas do Infinito. Livre da atmosfera sufocante do Observatório, publicou no mesmo ano a sua obra "Pluralidade dos Mundos Habitados", atraindo a atenção de todo o mundo estudioso. Para conhecer a direção das correntes aéreas, realizou, no ano de 1868, algumas ascensões aerostáticas.

Pela publicação de sua "Astronomia Popular", recebeu da Academia Francesa, no ano de 1880, o prêmio Montyon. Em 1870 escreveu e publicou um tratado sobre a rotação dos corpos celestes, através do qual demonstrou que o movimento de rotação dos planetas é uma aplicação da gravidade às suas densidades respectivas. Tornando-se espírita convicto, foi amigo pessoal e dedicado de Allan Kardec, tendo sido o orador designado para proferir as últimas palavras à beira do túmulo do Codificador do Espiritismo, a quem denominou "o bom senso encarnado".

Suas obras, de uma forma geral, giram em torno do postulado espírita da pluralidade dos mundos habitados e são as seguintes: "Os Mundos Imaginários e os Mundos Reais", "As Maravilhas Celestes", "Deus na Natureza", "Contemplações Científicas", "Estudos e Leitura sobre Astronomia", "Atmosfera", "Astronomia Popular", "Descrição Geral do Céu", "O Mundo antes da Criação do Homem", "Os Cometas", "As Casas Mal-Assombradas", "Narrações do Infinito", "Sonhos Estelares", "Urânia", "Estela", "O Desconhecido", "A Morte e seus Mistérios", "Problemas Psíquicos", "O Fim do Mundo" e outras.

Camille Flammarion, segundo Gabriel Delanne, foi um filósofo enxertado em sábio, possuindo a arte da ciência e a ciência da arte. Flammarion "poeta dos Céus", como o denominava Michelet tornou-se baluarte do Espiritismo, pois, sempre coerente com suas convicções inabaláveis, foi um verdadeiro idealista e inovador.


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DIVALDO PEREIRA FRANCO


Divaldo Pereira Franco nasceu em 5 de maio de 1927, na cidade de Feira de Santana, na Bahia. Filho de Francisco Pereira Franco e Ana Alves Franco (desencarnados), desde a infância que se comunica com os Espíritos. Cursou a Escola Normal Rural de Feira de Santana, recebendo o diploma de professor primário, em 1943.

Ainda jovem, foi abalado pela morte de seu irmão mais velho, o que o deixou traumatizado e enfermo. Foram consultados diversos médicos especialistas, sem obter nenhum resultado satisfatório. Foi a mão amiga de dona Ana Ribeiro Borges que o conduziu à Doutrina Espírita, libertando-o do trauma e trazendo a consolação tanto para ele, como para toda a família.

Quando criança, a amizade sincera de um pequeno Espírito alegrou ainda mais os seus dias. Era o índio Jaguaraçu, que quer dizer: "Onça Grande". Ele vinha brincar com Divaldo no quintal de sua casa todos os dias. O índio aparentava ter uns cinco anos. Os dois amiguinhos brincavam sem perceber as horas passarem. Subiam em árvores, corriam pelo quintal, armavam lindos presépios na época de Natal. Colhiam musgos e folhagens para enfeitar as lapinhas, como eram chamados os presépios.

Aos 18 anos, em 1945, Divaldo mudou-se para Salvador, tendo sido aprovado no concurso para o IPASE (Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado), onde ingressou em 05 de novembro de 1945.

Espírita convicto, fundou o Centro Espírita Caminho da Redenção em 7 de setembro de 1947. Dois anos depois iniciou a sua tarefa de psicografia. Diversas mensagens foram escritas por seu intermédio. Sob a orientação dos Benfeitores Espirituais guardou o que escreveu, até que um dia recebeu a recomendação de que queimasse tudo o que escrevera até ali, pois não passava de simples exercício.

Com a continuação, vieram novas mensagens assinadas por diversos Espíritos, dentre eles, Joanna de Ângelis, que durante muito tempo apresentava-se como "um Espírito Amigo", ocultando-se no anonimato à espera do instante oportuno para se apresentar. Joanna revelou-se como sua orientadora espiritual, escrevendo inúmeras mensagens, num estilo agradável repassado de profunda sabedoria e infinito amor, que conforta as pessoas necessitadas de diretriz espiritual.

Desde 1952, mais de 600 filhos, educados sob o regime de Lares Substitutos: Três mil crianças e jovens carentes são atendidos todos os dias, gratuitamente, numa área de 77 mil metros quadrados, com 50 edificações, em 22 atividades sócio-educacionais na Mansão do Caminho: Enxovais, Pré-Natal, Creche, escolas de ensino básico e de nível ginasial, Informática, Cerâmica, Panificação, Bordado, Reciclagem de Papel, Centro Médico, Laboratório de Análises Clínicas, Atendimento Fraterno, Caravana Auta de Souza, Casa da Cordialidade e Bibliotecas.

Mais de 30 mil crianças passaram até hoje pelos vários cursos e oficinas da Mansão do Caminho, desde 1952.

Em, 1964, Joanna de Ângelis selecionou várias mensagens de sua autoria e enfeixou-as no livro "Messe de Amor", que se tornou o primeiro livro psicografado por Divaldo. Atualmente, o médium é recordista e conta com 200 títulos publicados, incluindo os biográficos que retratam a sua vida e obra.

A convite da ONU, Divaldo Franco participou do I Encontro Mundial pela Paz, no período de 28 à 31.08.2000, reunião de cúpula com líderes religiosos de todo o mundo - fato inédito na história da Humanidade - para debater e produzir uma proposta de paz.

O Professor Divaldo Pereira Franco recebeu, ao todo, 590 homenagens, sendo 148 delas oriundas de 64 cidades do Exterior, de 20 países, e 442 do Brasil, de 139 cidades, homenagens essas procedentes de Instituições culturais, políticas, universidades, associações beneficentes, núcleos espiritualistas, espíritas etc.

Das condecorações recebidos no Exterior, destacam-se o título Doctor Honoris Causa em Humanidades, pela Universidade de Montreal, Canadá; Medaille de Reconnaisance Franco-Americaine-Classe Especial, do Instituto Humaniste de Paris; Medalha Câmara Municipal de Leiria, Portugal; Medalha da cidade de Lobito, oferecida pelo Poder Público de Angola, África; Doctor in Parapsicology pela Cyberan University, em Illinois, EUA.

No Brasil, mais de 80 títulos de cidadania honorária, concedidos pelos Poderes Públicos Municipais e Estaduais, sendo 16 deles de Capitais Federais.

Concedida por Decreto do Exmo Sr. Presidente da República às personalidades que se destacaram em âmbito nacional no trabalho em favor do próximo, recebeu o Diploma de Ordem do Mérito Militar, distinção federal.

Todas as homenagens estão reunidas no Acervo Técnico, localizado na Instituição. O Acervo é um prédio de dois andares com toda a infraestrutura necessária para conservar os documentos, certificados, diplomas, fotografias, objetos, quadros e medalhas oferecidos a Divaldo Franco. Todas as homenagens estão catalogadas e expostas.

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EDGARD PEREIRA ARMOND


Edgard Pereira Armond, nascido no dia 14 Junho de 1894 em Guaratinguetá – S.Paulo e desencarnado em 29 de Novembro de 1982 na cidade de São Paulo.

No dia 14 de Junho de 1894 nasce em Guaratinguetá, no Vale do Paraíba, Estado de São Paulo, Edgard Pereira Armond. De família humilde, Armond, aos 21 anos, ingressa na Força Pública de São Paulo, onde inicia carreira que lhe daria um título, pelo qual é conhecido até hoje: "Comandante".

Em 1919 casa-se com Nanci de Menezes, filha do Marechal do Exército Manuel Félix de Menezes. Participa de vários movimentos militares, atuando nas revoluções de 1922 e 1924 onde fez parte das tropas de ocupação nas nossas fronteiras com o Paraguai e Argentina.

Em 1923 matricula-se na Escola de Farmácia e Odontologia do Estado, diplomando-se em 1926.

Com uma vida profissional plena de atividades, trabalha na construção de uma estrada de rodagem unindo as cidades de Paraibuna e São Sebastião. Mesmo enfrentando muitas dificuldades financeiras, toma a direção pessoal do empreendimento e esta sua atitude antecipa o progresso desta região em 40 anos, beneficiando muitas cidades.

Paralelamente começa a estudar e trabalhar no Espiritismo, chegando a atuar ao lado do famoso médium Dr. Luiz Parigot de Souza, do Paraná. Participa também de um grupo de estudos e práticas espíritas a convite de Canuto de Abreu, visitando assim vários Centros Espiritas particulares que se dedicavam exclusivamente à prática de trabalhos mediúnicos de efeitos físicos, isto nos arredores da capital.

Em 1938, o Comandante sofre um acidente de automóvel, no Parque D. Pedro, em São Paulo, no qual quebra os dois joelhos, além de sofrer outros ferimentos, sendo inclusive hospitalizado. Após várias cirurgias e muitos tratamentos, fica quase sem poder andar durante seis meses, passando assim a usar muletas, com grande redução de movimentos. Enquanto se recupera do grave acidente que sofrera, continua seus trabalhos de cooperação espírita, ajudando companheiros a preparar palestras e conferências.

Em 1939 é convidado, pelo então presidente Américo Montagnini, a ocupar o cargo de secretário geral da Federação Espírita do Estado de São Paulo; diante desta eleição não esperada, fecha-se o círculo de sua integração dentro do Espiritismo, sendo este o primeiro ato de uma série de árduos e prolongados trabalhos.

Em 1940 Armond é considerado inválido para o serviço militar, passando a dedicar-se totalmente ao Espiritismo. Ele coloca sua vida a serviço de tarefas que vão contribuir para o progresso físico e espiritual de seus semelhantes, mudando a maneira com que até então vinham sendo conduzidos os Estudos Evangélicos e a própria Doutrina Espírita. O Comandante Armond era dotado de um caráter reto e firme, de moral elevada, detestava a maledicência e fugia sempre das conversas fúteis e de perguntas vulgares. Corno espírita e cultor de bons exemplos sabia valorizar o seu tempo com ocupações úteis e edificantes, sendo um exemplo de disciplina, coragem e determinação.

Como expositor, era detentor de um discurso persuasivo, acompanhado de uma linguagem clara e objetiva, não deixando pairar qualquer dúvida sobre o tema em questão. Como escritor espírita, era profundo estudioso dos fenômenos psíquicos e conhecedor de largos recursos sobre o tema Mediunidade. Escreveu uma série de 21 livros didáticos sendo que parte deles destinada ao uso nas Escolas e os outros para a Fraternidade dos Discípulos de Jesus. O primeiro contato mediúnico na Casa foi com o auxílio de uma médium particular e foi por intermédio dela que o Dr. Bezerra de Menezes transmitiu a conhecida frase: "No mundo, o Brasil; no Brasil, esta terra que tem o nome do grande Apostolo, e aqui, esta nossa casa, que será um farol a iluminar a Humanidade." Muitas foram as fraternidades que se apresentaram na FEESP para dar auxílio nos trabalhos desta Casa. Muitas experiências foram realizadas no campo da mediunidade para que se comprovasse a existência de todos os Beneméritos companheiros espirituais, haja visto que o comandante era muito criterioso e jamais se daria por satisfeito, caso pairasse qualquer duvida ou suspeita na informação mediúnica. Consciente da responsabilidade da tarefa que lhe fora atribuída e contando com o auxilio dado pelas Fraternidades, o Comandante não mediu esforços e trabalho para alcançar o seu objetivo que era criar os cursos de Espiritismo citados por Allan Kardec, no livro "Obras Póstumas", tarefa já tentada anteriormente pelo Dr. Bezerra de Menezes, no início do século. Seu trabalho não foi fácil, encontrou muitas dificuldades e teve diversas decepções por parte de alguns companheiros, mas mesmo assim lutou heroicamente á frente da Federação durante 10 anos no esforço de conseguir implantá-los.

Em 1944, o Comandante funda, juntamente com Pedro de Camargo "Vinícius" e Marta Cajado de Oliveira, o Jornal "O Semeador", dentro do qual, no início, é obrigado a usar vários pseudônimos para garantir a saída do jornal com regularidade. Além do Jornal, para incrementar a difusão da Doutrina e prestigiar a Casa, propõe a criação de um programa intitulado "hora espírita", que passa a ser veiculado na Rádio Tupi, aos domingos.

Em 1947, Edgard Armond funda a USE - União Social Espírita, que posteriormente passou a se chamar União das Sociedades Espíritas, com a finalidade de unir a família Espírita do Estado de São Paulo e unificar as práticas religiosas.

Dando cumprimento ao programa estabelecido pelo Plano Espiritual Superior, em 1950, o Comandante cria as Escolas de Aprendizes do Evangelho, para que, através de estudos orientados, as criaturas possam aprender o Evangelho e não apenas decorá-lo, utilizando-o como código de conduta, renovando-se de dentro para fora, através das sublimes lições da Boa Nova. Edgard Armond cria também as Escolas de Médiuns, visando a melhoria do Intercâmbio Espiritual e a Fraternidade dos Discípulos de Jesus que deve funcionar como órgão de agrupamento dos trabalhadores do campo religioso.

Em 1967, por motivos de doença, o Comandante pede o seu afastamento da Federação, mas continua a colaborar à distância no setor da publicidade, da organização de centros e organizações espíritas, inclusive em países estrangeiros.

Em 1973, em uma reunião em sua casa, o Comandante, juntamente com alguns companheiros impulsionados ao trabalho evangélico, fundam a Aliança Espírita Evangélica. A partir de 1980 assessora a formação do setor III da Fraternidade dos Discípulos de Jesus, continuando com a tarefa de expansão do Espiritismo Religioso.

Em 29 de novembro de 1982, às 4h30, o Comandante Edgard Armond desencarna no Hospital Osvaldo Cruz, na cidade de São Paulo, com oitenta e oito anos de vida terrena bem vividos. Seu jeito dinâmico de ser o os seus ideais nobres nos fazem acreditar que o Comandante permanece em plena atividade no Trabalho Redentor.


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EURÍPEDES BARSANULFO


Eurípedes Barsanulfo, nascido em 1º de Maio de 1880, na pequenina cidade de Sacramento, estado de Minas Gerais, e desencarnado na mesma cidade, aos 38 anos de idade, em 1º de Novembro de 1918.

Logo cedo manifestou-se nele profunda inteligência e senso de responsabilidade, acervo conquistado naturalmente nas experiências de vidas pretéritas.

Era ainda bem moço, porém muito estudioso e com tendências para o ensino, por isso foi incumbido pelo seu mestre-escola de ensinar aos próprios companheiros de aula. Respeitável representante político de sua comunidade, tornou-se secretário da Irmandade de São Vicente de Paula, tendo participado ativamente da fundação do jornal "Gazeta de Sacramento" e do "Liceu Sacramentano". Logo viu-se guindado à posição natural de líder, por sua segura orientação quanto aos verdadeiros valores da vida.

Através de informações prestadas por um dos seus tios, tomou conhecimento da existência dos fenômenos espíritas e das obras da Codificação Kardequiana. Diante dos fatos voltou totalmente suas atividades para a nova Doutrina, pesquisando por todos os meios e maneiras, até desfazer totalmente suas dúvidas.

Despertado e convicto, converteu-se sem delongas e sem esmorecimentos, identificando-se plenamente com os novos ideais, numa atitude sincera e própria de sua personalidade, procurou o vigário da Igreja matriz onde prestava sua colaboração, colocando à disposição do mesmo o cargo de secretário da Irmandade.

Repercutiu estrondosamente tal acontecimento entre os habitantes da cidade e entre membros de sua própria família. Em poucos dias começou a sofrer as conseqüências de sua atitude incompreendida.

Persistiu lecionando e entre as matérias incluiu o ensino do Espiritismo, provocando reação em muitas pessoas da cidade, sendo procurado pelos pais dos alunos, que chegaram a oferecer-lhe dinheiro para que voltasse atrás quanto à nova matéria e, ante sua recusa, os alunos foram retirados um a um.

Sob pressões de toda ordem e impiedosas perseguições, Eurípedes sofreu forte traumatismo, retirando-se para tratamento e recuperação em uma cidade vizinha, época em que nele desabrocharam várias faculdades mediúnicas, em especial a de cura, despertando-o para a vida missionária. Um dos primeiros casos de cura ocorreu justamente com sua própria mãe que, restabelecida, se tornou valiosa assessora em seus trabalhos.

A produção de vários fenômenos fez com que fossem atraídas para Sacramento centenas de pessoas de outras paragens, abrigando-se nos hotéis e pensões, e até mesmo em casas de famílias, pois a todos Barsanulfo atendia e ninguém saía sem algum proveito, no mínimo o lenitivo da fé e a esperança renovada e, quando merecido, o benefício da cura, através de bondosos Benfeitores Espirituais.

Auxiliava a todos, sem distinção de classe, credo ou cor e, onde se fizesse necessária a sua presença, lá estava ele, houvesse ou não condições materiais. Jamais esmorecia e, humildemente, seguia seu caminho cheio de percalços, porém animado do mais vivo idealismo. Logo sentiu a necessidade de divulgar o Espiritismo, aumentando o número dos seus seguidores. Para isso fundou o "Grupo Espírita Esperança e Caridade", no ano de 1905, tarefa na qual foi apoiado pelos seus irmãos e alguns amigos, passando a desenvolver trabalhos interessantes, tanto no campo doutrinário, como nas atividades de assistência social.

Certa ocasião caiu em transe em meio dos alunos, no decorrer de uma aula. Voltando a si, descreveu a reunião havida em Versailles, França, logo após a I Guerra Mundial, dando os nomes dos participantes e a hora exata da reunião quando foi assinado o célebre tratado.

Em 1o. de abril de 1907, fundou o Colégio Allan Kardec, que se tornou verdadeiro marco no campo do ensino. Esse instituto de ensino passou a ser conhecido em todo o Brasil, tendo funcionado ininterruptamente desde a sua inauguração, com a média de 100 a 200 alunos, até o dia 18 de outubro, quando foi obrigado a cerrar suas portas por algum tempo, devido à grande epidemia de gripe espanhola que assolou nosso país.

Seu trabalho ficou tão conhecido que, ao abrirem-se as inscrições para matrículas, as mesmas se encerravam no mesmo dia, tal a procura de alunos, obrigando um colégio da mesma região, dirigido por freiras da Ordem de S. Francisco, a encerrar suas atividades por falta de freqüentadores.

Liderado a pulso forte, com diretriz segura, robustecia-se o movimento espírita na região e esse fato incomodava sobremaneira o clero católico, passando este, inicialmente de forma velada e logo após, declaradamente, a desenvolver uma campanha difamatória envolvendo o digno missionário e a doutrina de libertação, que foi galhardamente defendida por Eurípedes, através das colunas do jornal "Alavanca", discorrendo principalmente sobre o tema: "Deus não é Jesus e Jesus não é Deus", com argumentação abalizada e incontestável, determinando fragorosa derrota dos seus opositores que, diante de um gigante que não conhecia esmorecimento na luta, mandaram vir de Campinas, Estado de S. Paulo, o reverendo Feliciano Yague, famoso por suas pregações e conhecimentos, convencidos de que com suas argumentações e convicções infringiriam o golpe derradeiro no Espiritismo.

Foi assim que o referido padre desafiou Eurípedes para uma polêmica em praça pública, aceita e combinada em termos que foi respeitada pelo conhecido apóstolo do bem.

No dia marcado o padre iniciou suas observações, insultando o Espiritismo e os espíritas, "doutrina do demônio e seus adeptos, loucos passíveis das penas eternas", numa demonstração de falso zelo religioso, dando assim testemunho público do ódio, mostrando sua alma repleta de intolerância e de sectarismo.

A multidão que se mantinha respeitosa e confiante na réplica do defensor do Espiritismo, antevia a derrota dos ofensores, pela própria fragilidade dos seus argumentos vazios e inconsistentes.

O missionário sublime, aguardou serenamente sua oportunidade, iniciando sua parte com uma prece sincera, humilde e bela, implorando paz e tranqüilidade para uns e luz para outros, tornando o ambiente propício para inspiração e assistência do plano maior e em seguida iniciou a defesa dos princípios nos quais se alicerçavam seus ensinamentos.

Com delicadeza, com lógica, dando vazão à sua inteligência, descortinou os desvirtuamentos doutrinários apregoados pelo Reverendo, reduzindo-o à insignificância dos seus parcos conhecimentos, corroborado pela manifestação alegre e ruidosa da multidão que desde o princípio confiou naquele que facilmente demonstrava a lógica dos ensinos apregoados pelo Espiritismo.

Ao terminar a famosa polêmica e reconhecendo o estado de alma do Reverendo, Eurípedes aproximou-se dele e abraçou-o fraterna e sinceramente, como sinceros eram seus pensamentos e suas atitudes.

Barsanulfo seguiu com dedicação as máximas de Jesus Cristo até o último instante de sua vida terrena, por ocasião da pavorosa epidemia de gripe que assolou o mundo em 1918, ceifando vidas, espalhando lágrimas e aflição, redobrando o trabalho do grande missionário, que a previra muito antes de invadir o continente americano, sempre falando na gravidade da situação que ela acarretaria.

Manifestada em nosso continente, veio encontrá-lo à cabeceira de seus enfermos, auxiliando centenas de famílias pobres. Havia chegado ao término de sua missão terrena. Esgotado pelo esforço despendido, desencarnou no dia 1º de novembro de 1918, às 18 horas, rodeado de parentes, amigos e discípulos.

Sacramento em peso, em verdadeira romaria, acompanhou-lhe o corpo material até a sepultura, sentindo que ele ressurgia para uma vida mais elevada e mais sublime.


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FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER


Francisco Cândido Xavier, nascido no dia 02 de Abril de 1910 em Pedro Leopoldo e desencarnado em Uberaba, a 30 de Junho de 2002.

Filho de João Cândido Xavier - operário, e Maria João de Deus - lavadeira, ele e os irmãos, com a desencarnação da mãe, em 1915, foram distribuídos por vários familiares e pessoas amigas. Órfão de mãe aos cinco anos, sofreu muito, junto a sua madrinha Maria Rita de Cássia, que o maltratava.

Aos nove anos seu pai, casado novamente, empregou-o numa indústria de fiação e tecelagem, onde trabalhava até duas horas da madrugada, sendo que até 11 horas, freqüentava a escola primária pública. Ao concluir o curso da escola pública, empregou-se como caixeiro em uma loja e mais tarde, como ajudante de cozinha e café.

Aos 23 anos, o então administrador da Fazenda Modelo do Ministério da Agricultura em Pedro Leopoldo, Rômulo Joviano, ofereceu-lhe modesta função nesta autarquia. Em 1935, tornou-se modesto funcionário público, trabalhando consecutivamente até os finais dos anos 50, quando foi aposentado por invalidez (doença incurável nos olhos), na categoria de escrevente datilógrafo. Durante o tempo em que esteve a serviço do Ministério da Agricultura, apesar de sua saúde precária e trabalho doutrinário desenvolvido fora das horas de serviço, não teve uma única falta, nem gozou qualquer tipo de licença. Por motivos de saúde e a conselho médico, em finais da década de 50 vai residir em Uberaba (MG), vivendo da sua magra aposentadoria.

Sua mediunidade manifestou-se aos quatro anos pela clarividência e clariaudiência, quando via e conversava com os Espíritos, sem suspeitar de que não fossem pessoas do nosso mundo. Ao ficar órfão de mãe, esta manifestou-se-lhe várias vezes, encorajando-o e dizendo-lhe que não poderia ir para a Casa deles, porque estava em tratamento, mas que enviaria um anjo bom. Esse anjo bom foi Cidália Batista, a segunda esposa de João Xavier, que fez questão de reunir todos os filhos do primeiro casamento dele, além dos cinco filhos que teve com João.

Cidália desencarna em 1927, quando Chico assume a responsabilidade da casa e de seus 14 irmãos. Neste ano a sua irmã Maria Xavier Pena, doente e desenganada pelos médicos, é curada, após uma prece que ele faz em torno do leito. A partir daí começa a frequentar reuniões espíritas.

Aos 17 anos, no Grupo Espírita Luiz Gonzaga, rapidamente desenvolveu a psicografia, época em que se desligara da Igreja Católica, onde não encontrou explicações para os "fenômenos" que aconteciam. O padre que o ouvia nas confissões, o qual fora um conselheiro e verdadeiro pai, não o criticou pelo novo caminho que decidiu seguir, mas abençoou e nunca deixou de ser seu amigo.

No Centro Espírita, começou a psicografar poemas extraordinários de poetas de grande expressão, desencarnados. Em 9 de julho de 1932, foi publicada a obra Parnaso de Além Túmulo, pela Federação Espírita Brasileira (FEB), a sua primeira obra psicografada, com 259 mensagens, de 56 poetas desencarnados, que iria abalar os meios intelectuais brasileiros e tornar conhecida a pacata Pedro Leopoldo. Parnaso de Além Túmulo é um livro que até tem sido reeditado sucessivamente.

O estilo dos 56 poetas desencarnados era idêntico ao estilo que tinham em vida, provando que ninguém morre e que neste chamado "momento derradeiro", passamos para outra dimensão da vida com todas as características que tínhamos, aqui. Mais de mil Entidades espirituais nos deram informações através da psicografia de Chico Xavier, provando a imortalidade do Espírito e sua comunicabilidade com os homens. É importante lembrar de Emmanuel, o protetor espititual do médium, tendo lhe manifestado pela primeira vez em 1931.

Foi Chico Xavier que disse a respeito de seu Benfeitor espiritual:

"Lembro-me de que num dos primeiros contatos comigo, ele me preveniu que pretendia trabalhar ao meu lado, por longo tempo, mas que eu deveria, acima de tudo, procurar os ensinamentos de Jesus e as lições de Allan Kardec e disse mais que, se um dia, ele, Emmanuel, algo me aconselhasse que não estivesse de acordo com as palavras de Jesus e Kardec, que eu deveria permanecer com Jesus e Kardec, procurando esquecê-lo."

Emmanuel propõe ainda a Chico Xavier mais três condições para com ele trabalhar. Primeira condição, DISCIPLINA; segunda condição, DISCIPLINA; terceira condição, DISCIPLINA.

Entre as obras ditadas por Emmanuel, há cinco documentos históricos, autênticas obras-primas da literatura, que mostram o nascimento do Cristianismo e sua consequente adulteração, já nos primeiros séculos. São as obras: Há Dois Mil Anos, 50 Anos Depois, Ave Cristo, Renúncia, Paulo e Estêvão. Esta última, segundo J. Herculano Pires, por si só justificaria a missão mediúnica de Chico Xavier.

Em 1943, começa a utilizar a mediunidade de Chico Xavier uma nova entidade espiritual, que passa a assinar as suas mensagens com o nome de André Luiz, que relata em uma série de 16 livros a experiência do seu pensamento, as dificuldades iniciais, o reencontro com familiares e conhecidos que o precederam na partida para o plano espiritual, a observação e as experiências de estudo junto a Espíritos de elevada evolução. Os relatos começam com o livro Nosso Lar nome de uma cidade do plano espiritual, hoje traduzido em vários idiomas, entre eles o japonês e o Esperanto.

Chico Xavier psicografou 412 obras, cujos direitos autorais foram graciosamente cedidos para as obras de caridade da Doutrina Espírita.

Outros fatos marcantes da mediunidade de Chico Xavier:

O processo, com ganho de causa para a FEB e para o médium, movido em 1944 pela viúva do escritor Humberto de Campos, época em que o Espírito ditou algumas obras com o pseudônimo Irmão X.

A participação, em 8 de julho de 1957, no programa Pinga Fogo, na extinta TV Tupi, cujo conteúdo está publicado no livro Chico Xavier - Dos Hippies aos Problemas do Mundo - Edições FEESP.

O julgamento de João Francisco de Deus, como inocente da morte de sua mulher, em 28 de junho de 1985, a partir de cartas dela, psicografadas por Chico, usadas pela defesa do acusado.

Indicado em 1981 para o Prêmio Nobel da Paz e eleito pela Rede Globo de Minas como o Mineiro do Século.

Francisco Cândido Xavier desencarnou na noite do dia 30 de junho de 2002, em Uberaba (MG), aos 92 anos, quandos os brasileiros comemoravam a conquista inédita da Seleção Brasileira de Futebol que consagrava-se campeã pela quinta vez.

Este era o desejo do médium:

"Quero morrer num dia em que todo o Brasil esteja feliz." E assim foi.


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HELOÍSA PIRES


Formada em Matemática e Pedagogia com especializações em deficientes físicos e visuais.
Psicopedagoga na Associação de Assistência à criança deficiente e Coordenadora do Naceme – escola para deficientes mentais.

Mãe de cinco filhos e avó de quatro netos. Filha do saudoso filósofo, jornalista e escritor José Herculano Pires, de cuja obra é profunda conhecedora.

Como expositora espírita tem realizado palestras em todo o território brasileiro, além de participar nos vários congressos nacionais e internacionais.

Apresenta o programa "O Espírito e o Tempo" transmitido pela rádio Boa Nova, terça–feira às 13:30 horas. Como escritora tem participado em diversos livros, jornais e revistas.

Alguns livros de sua autoria.

- Educação Espírita
- Educar para ser feliz
- Herculano, o homem no mundo
- Renovação pelo Amor
- Preparados para a vitória


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JOSÉ HERCULANO PIRES


José Herculano Pires, nasceu na cidade de Avaré, no estado de São Paulo a 25/09/1914, e desencarnou nesta capital em 09/03/1979.

Filho do farmacêutico José Pires Correia e da pianista Bonina Amaral Simonetti Pires. Fez seus primeiros estudos em Avaré, Itaí e Cerqueira César. Revelou sua vocação literária desde que começou a escrever. Aos 9 anos fez o seu primeiro soneto, um decassílabo sobre o Largo São João, da sua cidade natal. Aos 16 anos publicou seu primeiro livro, "Sonhos Azues" (contos), e aos 18 anos o segundo livro, "Coração" (poemas livres e sonetos). Já possuía seis cadernos de poemas na gaveta, colaborava nos jornais e revistas da época, da província de São Paulo e do Rio. Teve vários contos publicados com ilustrações na Revista da Semana e no Malho.

Foi um dos fundadores da União Artística do Interior (UAI), que promoveu dois concursos literários, um de poemas pela sede da UAI em Cerqueira César, e outro de contos pela Seção de Sorocaba. Mário Graciotti o incluiu entre os colaboradores permanentes da seção literária de A Razão, em São Paulo, que publicava um poema de sua autoria todos os domingos. Transformou (1928) o jornal político de seu pai em semanário literário e órgão da UAI. Mudou-se para Marília em 1940 (com 26 anos), onde adquiriu o jornal "Diário Paulista" e o dirigiu durante seis anos. Com José Geraldo Vieira, Zoroastro Gouveia, Osório Alves de Castro, Nichemaja Sigal, Anthol Rosenfeld e outros promoveu, através do jornal, um movimento literário na cidade e publicou "Estradas e Ruas" (poemas) que Érico Veríssimo e Sérgio Millet comentaram favoravelmente. Em 1946 mudou-se para São Paulo e lançou seu primeiro romance, "O Caminho do Meio", que mereceu críticas elogiosas de Afonso Schimidt, Geraldo Vieira e Wilson Martins. Repórter, redator, secretário, cronista parlamentar e crítico literário dos Diários Associados. Exerceu essas funções na Rua 7 de Abril por cerca de trinta anos. Autor de 81 livros de Filosofia, Ensaios, Histórias, Psicologia, Pedagogia, Parapsicologia, Romances e Espiritismo, vários em parceria com Chico Xavier, sendo a maioria inteiramente dedicada ao estudo e divulgação da Doutrina Espírita...

Lançou a série de ensaios Pensamento da Era Cósmica e a série de romances e novelas de Ficção Científica Paranormal. Alegava sofrer de grafomania, escrevendo dia e noite. Não tinha vocação acadêmica e não seguia escolas literárias. Seu único objetivo era comunicar o que achava necessário, da melhor maneira possível. Graduado em Filosofia pela USP em 1958, publicou uma tese existencial: "O Ser e a Serenidade". De 1959 a 1962, docente titular da cadeira de filosofia da educação na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara.

Foi membro titular do Instituto Brasileiro de Filosofia, seção de São Paulo, onde lecionou psicologia. Foi presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo de 1957 a 1959. Foi professor de Sociologia no curso de jornalismo ministrado pelo Sindicato.

José Herculano Pires foi presidente e professor do Instituto Paulista de Parapsicologia de São Paulo. Organizou e dirigiu cursos de Parapsicologia para os Centros Acadêmicos: da Faculdade de Medicina da USP, da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, da Escola Paulista de Medicina e em diversas cidades e colégios do interior.

Fundou o Clube dos Jornalistas Espíritas de São Paulo em 23/01/1948. O Clube funcionou por 22 anos. Herculano foi membro da Academia Paulista de Jornalismo onde ocupou a Cadeira "Cornélio Pires" em 1964.

Herculano pertenceu também a União Brasileira de Escritores, onde exerceu o cargo de Diretor e Membro do Conselho no ano de 1964.

José Herculano Pires foi Chefe do Sub-Gabinete da Casa Civil da Presidência da República no governo do Sr. Jânio Quadros no ano de 1961, onde permaneceu até a renúncia do mesmo.

Espírita desde a idade de 22 anos não poupou esforço na divulgação falada e escrita da Doutrina Codificada por Allan Kardec, tarefa essa à qual dedicou a maior parte da sua vida. Durante 20 anos manteve uma coluna diária de Espiritismo nos Diários Associados com o pseudônimo de Irmão Saulo.

Durante quatro anos manteve no mesmo jornal uma coluna em parceria com Chico Xavier sob o título "Chico Xavier pede Licença". Foi Diretor fundador da revista "Educação Espírita" publicada pela Edicel.

Em 1954 publicou Barrabás, que recebeu um prêmio do Departamento Municipal de Cultura de São Paulo, constituindo o primeiro volume da Trilogia A Conversão do Mundo.

Publicou em 1975, Lázaro e com o romance Madalena concluiu a Trilogia.

Traduziu cuidadosamente as obras da Codificação Kardecista enriquecendo-as com notas explicativas nos rodapés. Essas traduções foram doadas a diversas editoras espíritas no Brasil, Portugal, Argentina e Espanha.

Colaborou com o Dr. Júlio Abreu Filho na tradução da Revista Espírita.

Ao desencarnar deixou vários originais os quais vêm sendo publicados pela Editora Paidéia


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LOUIS PASTEUR


Louis Pasteur nasceu no dia 27 de Dezembro de 1822 na cidade de Dôle, França e desencarnou no dia 28 de Setembro de 1895 em Villeneuve I'Etang próximo de Paris.

A família mudou-se para Arbois quando Pasteur tinha de três a cinco anos de idade. Ele foi uma criança normal sem prenúncios de vir a ser um grande e respeitado cientista. Além dos estudos, ocupava-se, também, com pinturas e desenhos para as quais demonstrava ter grande habilidade. No colégio Real Besançon completa sua educação secundária. Em seguida foi estudar em Paris, no famoso "Liceu Saint-Louis" e também assistir as famosas palestras proferidas por Monsieur Dumas na Universidade de Sorbonne. Em 1842 é admitido na Escola Superior de Paris e em 1843 na "École Normale" onde iniciou seus estudos sobre os cristais. Em 1847 completa o curso de doutorado e no ano seguinte divulga as primeiras descobertas sobre a assimetria dos cristais, recebendo mais tarde um prêmio de 1.500 francos pela síntese do ácido racêmico. Em 1848 desencarna Jeanne Etiennette, sua mãe.

Em 1849 é nomeado Conferencista de Química da Universidade de Estrasburgo e casa-se com Marie Laurent. Em 1850 nasce sua primeira filha Jeanne, em 1851 seu filho Jean-Baptiste e em 1853 sua filha Cecile. Em 1854 foi nomeado Prof. e Diretor da Faculdade de Ciências de Lille. Nessa cidade começa estudos sobre a fermentação Láctea e os problemas que envolviam a fabricação do álcool, do vinho e do vinagre.

Em 1857 foi nomeado Administrador e Diretor dos Estudos Científicos da "École Normale", manteve o cargo até 1867. Em 1858 nasceu sua filha Marie Louise. Montou seu primeiro laboratório na "École Normale". A bondade intrínseca de Pasteur, sua crença no Infinito permanecem apesar dos ataques dos antagonistas, onde contava com a cooperação da esposa.

No ano seguinte inicia estudos sobre a geração espontânea e descobre a vida anaeróbia. Em 1862 é eleito membro da Academia de Ciências de Paris. No ano seguinte nasce sua filha Camille. Pasteur perdeu três dos cinco filhos nascidos. Continua estudos sobre os vinhos, pasteurização e sobre a doença do bicho-da-seda. Jean Joseph, seu pai, o seu melhor amigo, desencarna em 1865. Divulga " Estudos sobre os Vinhos". Em 1867 é indicado como Professor de Química da Sorbonne. Invenção da Pasteurização. Em 1868 sofre um derrame cerebral. Continua estudos sobre os bicho-da-seda. Em 1871 inicia estudos sobre os problemas da cerveja. Dois anos depois é eleito para a Academia de Medicina. Estuda os microorganismos, os micróbios e as doenças específicas, etc.

Em 1877 Pasteur divulga os primeiros trabalhos sobre o antraz. Em 1878 realiza estudos sobre a gangrena, septicemia e febre puerperal. Publica sua Teoria dos Germes e suas aplicações na medicina e na cirurgia. Em 1879 estuda a cólera das galinhas. Descoberta das culturas atenuadas. O incansável cientista no ano de 1880 inicia seus estudos sobre a raiva, um dos mais difíceis para ele e sua equipe.

Pasteur começa a colher os frutos dos seus esforços, dos seus trabalhos. As vacinas atenuadas são grande vitória. Em 1881 é eleito membro da Academia Francesa. "Ser um dos quarenta parecia-lhe honra excessiva". Vigiava-se para não se deixa empolgar pelas vitórias. Sessão solene para a recepção de Pasteur na Academia Francesa no dia 27 de abril de 1882. Dia de emoção. Experiência na fazenda Pouilly-le-Fort com a vacina contra o antraz. Vacinação contra a cólera das galinhas e a febre esplênica. Continua estudos sobre a raiva. Pasteur no Congresso de Medicina em Londres onde é ovacionado.

Continua os estudos sobre a cólera e as experiências sobre a vacinação anti-rábica nos anos de 1883 e 1884. Em 1885 vacina o menino Joseph Meister, de 9 anos e Jean Baptiste Jupille o jovem herói que lutou e matou um cão com a raiva, que o atacara. Foram os primeiros seres humanos vacinados contra a raiva. Vitória de Pasteur, os dois foram salvos. Em 1886 trata de dezesseis russos mordidos por um lobo com a raiva.. Todos foram salvos.

Em 1887 Pasteur sofre um segundo derrame. Em 1888 foi inaugurado o Instituto Pasteur de Paris. Em 1889 a nova Sorbonne é inaugurada.

Sem nunca ter parado de trabalhar Pasteur chega aos seus 70 anos. Jubileu comemorado na Sorbonne. Joseph Lister, cirurgião inglês, o homenageia. Está presente no discurso do homenageado o presidente da França, Sadi Carnot.

Em 1894 nos laboratórios do Instituto Pasteur é descoberta a vacina contra a difteria.

Desencarnação de Pasteur, em Villeneuve l'Etang, no dia 28 de setembro de 1895, com 72 anos de idade. Seu corpo repousa na "Chapelle Funéraire" do Instituto Pasteur de Paris. Pasteur retorna à Pátria Espiritual. Partiu da sua querida França em busca das recompensas celestes e de novos trabalhos, de novos afazeres.


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MIGUEL DE JESUS SARDANO


Miguel de Jesus Sardano, nasceu em 18 de agosto de 1933, em Mirassol – São Paulo, advogado, filho de Rafael Sardano e Jovelina Maria de Jesus.

Em 1948, veio para São Paulo e tornou-se espírita em 1950, através de um senhor lituano, chamado Jacob, que era aluno da Escola de Evangelho da FEESP. Jacob o convidou para participar do culto do Evangelho no Lar, em sua casa. Este senhor, o incentivou à leitura de obras espíritas e a freqüentar as palestras da Federação aos domingos pela manhã, quando falava na tribuna o venerando e inesquecível Pedro de Camargo (Vinícius). Naquela época André Luiz era a grande febre da literatura espírita e Miguel se encantou com as suas obras, “devorando” em pouco tempo toda a coleção. Transferiu-se para Santo André em 1956, quando conheceu Terezinha Santa de Jesus Sardano, que já era professora primária e Católica, com quem se casou em 31 de janeiro de 1957. Antes de se casarem, ela já estava lendo livros espíritas, tornando-se espírita convicta desde então. O casal tem dois filhos e quatro netos.

Em 1966 formou-se professor normalista. Cursou direito em 1974. Até então não tivera oportunidade de estudar, pois seus pais sempre foram pobres e os quatro filhos, tiveram que trabalhar a partir dos 8 anos.

Um fato interessante ocorrido no exercício da profissão, foi o primeiro casal que o procurou para separação conjugal consensual. Era um casal bem jovem. Ele tinha 25 anos e ela 20. O casal tinha uma filhinha de 2 anos. Na época já havia divórcio, mas era necessário um prazo para efetivá-lo. Primeiro se fazia a separação e depois o divórcio.

Ele contemplou aquele par de jovens imaturos, com a filhinha no colo e falou-lhes como pai, aconselhando-os a mudarem de idéia. Eles saíram do seu escritório e Miguel não tornou a vê-los. Um mês depois, quando entrava para uma audiência na Vara da Família, eis que vê o casal saindo da sala, com um colega seu. Perguntou ao seu colega o que fazia aquele casal ali. Ele lhe disse: Acabaram de separar-se consensualmente. Por quê? perguntou o seu colega. Ele respondeu: Há um mês eles me procuraram com esse intuito, mas eu os aconselhei a se reconciliarem, etc... Seu colega, admirado, olhou-o rindo e disse-lhe: então foi você o “ padre” ? Miguel disse, Padre! Sim, eles me disseram que procuraram um advogado que lhes falou tanto sobre moral, responsabilidade, etc. etc., que eles pensaram que tinha entrado no endereço errado, porque procuravam um advogado e encontraram um padre.

Publicou dois livros, Nas Pegadas do Nazareno, editado em 1988 pela editora Leal, e Divaldo, mais que uma voz, um hino de amor à vida, editado pela EBM Editora em 1999.

Conheceu Divaldo Franco em 1965, mais precisamente no Carnaval deste ano, quando o convidou para a palestra de encerramento da 3ª Concentração de Mocidades Espíritas do Centro Sul do Estado de São Paulo. A partir deste ano, começou a acompanhá-lo quando vinha a São Paulo, fato que tem se repetido há mais de 38 anos. Suas atividades no Movimento Espírita datam de 1956, quando dirigia e apresentava um programa espírita na Rádio ABC de Santo André, aos domingos de manhã. Freqüentava a União da Mocidade Espírita de Santo André, chegando a ser seu presidente. Em 1968, juntamente com outros valorosos companheiros, fundou o 26º CRE, “Conselho Regional Espírita” do qual foi seu primeiro presidente, no período de 1968 a 1976. Em 1965 foi presidente da III Centro-Sul. Em 1976 fundou, juntamente com Terezinha, o Centro Espírita Dr. Bezerra de Menezes de Santo André.

Em 1986 fundaram a Instituição Assistencial e Educacional “Amélia Rodrigues”, que hoje cuida de mais de 1.500 crianças, e jovens de baixa renda em seus diversos projetos, na faixa etária de 03 meses a 17 anos. Como orador iniciou suas tarefas em 1954. É articulista de vários jornais e revistas espíritas. Participou da fundação e da primeira diretoria do Correio Fraterno do ABC, que era órgão do então 26º CRE, que ele presidia. Por falta de recursos, passou o jornal para a Instituição Lar da Criança Emmanuel, que até hoje mantém este jornal. Iniciou suas palestras internacionais em 1986, aos Estados Unidos, onde tem ido anualmente, pois lá existem cerca de 40 entidades espíritas.

Realizou palestras em quase todos os estados do Brasil e em alguns países do exterior como: Portugal, França, Espanha, Colômbia, Estados Unidos, Paraguai, Bolívia, Inglaterra, Suíça, Canadá e Itália.

Dirige e apresenta o programa Presença Espírita com Divaldo Franco, na Rede Boa Nova de Rádio (Guarulhos – SP) desde 1992.


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WLADEMIR LISSO


Wlademir Lisso nasceu em São Paulo em 1946 é profissionalmente advogado, exercendo a especialidade de Direito Tributário.

É diretor da Área da Assistência Espiritual da Federação Espírita do Estado de São Paulo. Militante na doutrina há mais de 30 anos. Tem levado conhecimentos científicos, doutrinário-evangélicos de Norte a Sul, Leste e Oeste do país, através de aulas, palestras, conferências, seminários, workshops procurando abrir mentes, aclarar pensamentos e iluminar horizontes das pessoas.

É um expoente na doutrina espírita incansável, sempre inspirado pelos amigos espirituais tem norteado muitas vidas, principalmente no tocante à depressão grave, trabalho que coordena desde 2004 na Federação, a fim de libertar almas dessa doença avassaladora, conhecida como mal do século 21. A todos que o procuram sempre há uma palavra de consolo, esperança e fé embasada no Evangelho de Jesus.

É autor dos livros:

1) Clonagem à Luz do Espiritismo;
2) Doação de Órgãos e Transplantes;
3) Jesus já falava em Espiritismo (onde estão inseridos alguns artigos seus);
4) Reflexões Sobre a Depressão;
5) Temas Atuais na Visão Espírita (livro lançado na Bienal de 2006).

Em Outubro de 2006 esteve nos EUA onde proferiu uma série de palestras, seminários, workshops e principalmente, implantou lá a Assistência Espiritual, exclusiva para depressivos.


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ALLAN VILCHES


Allan Francisco Vilches Caires, nasceu em Osasco no dia 23/05/1981. Desde criança, com apenas 13 anos, motivado por sua vocação natural pela música, decidiu investir nesta habilidade aperfeiçoando-se como autodidata.

A partir de 1995 ingressou no renomado Conservatório Musical Villa Lobos e a partir daí foi membro das maiores escolas de canto lírico, tais como: Coral da Universidade de São Paulo, Universidade Livre de Música, Escola Municipal de Música de São Paulo e Conservatório Musical Souza Lima, onde pode enriquecer sua técnica com renomados mestres.

Profissionalmente, tem se destacado por sua interpretação e voz marcante em grandes eventos culturais. Foi contratado de empresas como: Playcenter, Caixa Econômica Federal, Correios e em diversos Congressos e Reuniões empresariais. Esteve presente na telinha em diversas ocasiões: Programa Altas Horas (Globo) – 1999, Programa Raul Gil (Record) – 2001, Programa Cá entre Nós (TV Alphaville) – 2002, Programa Gente que Brilha (SBT) – 2004 e Programa Prelúdio (TV Cultura) - 2006.

Atualmente é cantor exclusivo das seguintes empresas: Corelli Produções Musicais, PRISMA Eventos, Cia da Música e Art Music. Com apoio da Editora Petit está lançando seu segundo álbum intitulado “Percepções” com canções inéditas e algumas composições do período clássico.

Com apenas 11 anos ingressou no grupo Jovens Espíritas Semeadores da Paz (JESP) do Núcleo Espírita Obreiros da Vida Eterna, aonde pode iniciar seus estudos na doutrina espírita.

O Núcleo Espírita Obreiros da Vida Eterna é uma casa fundada à 35 anos e tem por objetivo o estudo e a divulgação da Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec. Em suas atividades doutrinárias realiza palestras públicas e orientação espiritual todos os dias da semana. Na assistência social, oferece as pessoas carentes da região de Carapicuíba, aproximadamente 250 marmitex nos almoços de finais de semana, 25 cestas básicas para famílias cadastradas, além de palestras de cunho evangélico e social e também evangelização infantil.

Com 14 anos fez sua primeira apresentação musical na XXI Comelesp e desde então tem recebido várias críticas positivas do meio espírita.

Passados alguns anos, em 2001 formou seu primeiro grupo de coral, denominado Cantores da Luz, na mesma casa, grupo este que é mantido até hoje sob sua coordenação.

Em novembro de 2003 foi apresentado à renomada cantora Paula Zamp que impulsionou suas apresentações nas Casas Espíritas. Com ela já se apresentou diversas vezes na Federação Espírita do Estado de São Paulo, em casas espíritas por todo país e em várias ações beneméritas.

Atualmente coordena o Instituto Musical Notas de Luz, com a finalidade de aproximar crianças carentes do Universo Musical, além de palestras e apresentações a convite de diversas casas.

Todas as atividades do Instituto estão sobre a tutela do cantor lírico Allan Vilches que coordena os cursos, busca recursos para os projetos mediante a negociação de camisetas e outros produtos destinados à divulgação da obra. Capta voluntários interessados, adquiri instrumentos para a realização de novos projetos e/ou continuação dos já existentes e seleciona crianças com aptidão para a música.

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CORAL VOZES DO CAMINHO


O Coral Vozes do Caminho é um grupo formado por vários Centros Espíritas tendo sua origem no Centro Espírita Caminhos de Libertação em Santana.

O grupo trabalha com foco nas crianças deficientes e em colônias de hansenianos.


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RICHARD SIMONETTI


Richard Simonetti é de Bauru, Estado de São Paulo. Nasceu em 10 de outubro de 1935.

Filho de Francisco Simonetti e Adélia M. Simonetti. Casado com Tânia Regina M. S. Simonetti.

Tem quatro filhos: Graziela, Alexandre, Carolina e Giovana.

Participa do movimento espírita desde 1957, quando integrou-se no Centro Espírita "Amor e Caridade", que desenvolve largo trabalho no campo doutrinário de assistência e promoção social.

Articulou o movimento inicial de instalação dos Clubes do Livro Espírita, que prestam relevantes serviços de divulgação em dezenas de cidades.

É colaborador assíduo de jornais e revistas espíritas, notadamente "O Reformador", "Revista Internacional de Espiritismo" e "Folha Espírita".

Funcionário aposentado do Banco do Brasil, vem percorrendo todos os Estados brasileiros e alguns países em palestras de divulgação da Doutrina Espírita. Richard Simonetti é presidente do Centro Espírita Amor e Caridade, de Bauru, entidade que realiza amplo trabalho de divulgação da Doutrina e exercício da filantropia, com perto de 800 voluntários e atendimento de perto de 25.000 carentes, anualmente.

Nas horas vagas se dedica à literatura espírita, com 37 livros publicados, dentro os quais destaca o estudo sobre o Livro dos Espíritos, em cinco volumes e sobre o Evangelho, em seis volumes, um trocar em miúdos dessas obras fundamentais. Recentemente foi publicado seu livro Mediunidade, tudo o que você precisa saber e atualmente os preparativos para o lançamento do livro Abaixo a Depressão!.

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MOACYR CAMARGO


Moacyr Camargo é músico nascido em São Paulo e vem desenvolvendo um trabalho na música espírita com 6 CD’s gravados até o momento.

Tem levado a música para todo movimento espírita.

Suas canções falam do homem e do vôo do pensamento sem fim, de estrelas, do azul, das matas, dos pássaros e vibrações de alegria. Sua canção se transformou num dos córregos por onde flui a autêntica música brasileira de qualidade.

Moacyr atua num trabalho voluntário voltado para crianças e é responsável pela música nas atividades do Colégio Allan Kardec em Sacramento estado de Minas Gerais.

Toda a sua obra confirma a trajetória de um momento especial na MPB e dessa época de transformação, onde o retorno às origens de sentimentos nobres e dos valores espirituais são resgatados.



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